Precisava escrever...preciso escrever
E de fato esse blog é uma grande panacéia para mim...minha esponja de crises.
Crises...sempre elas..sempre constantes...na verdade não constantes, oscilantes..mas sempre ali, na espreita...
Uma vez um grande professor de literatura disse que o ideograma chinês para 'caos' era o mesmo para 'transformação/renovação'..ou algo parecido....não lembro direito se era mesmo 'caos' ou 'crise'....mas a idéia é mais ou menos a mesma..ou pelo menos muito próxima....não sei nem se isso é verdade, nunca fui verificar a procedência. Mas mesmo que não seja, a idéia é bonita, humana, coerente.
Enfim....
O fato é que estou em mais uma das minhas inúmeras crises....e refletindo sobre ela percebo uma certa atração por esse estado conflituoso de espírito...hoje eu me peguei pensando 'puta merda, mas eu não consigo ficar muito tempo tranqüilo que logo vem outra crise e outra e outra...queria paz' mas logo na seqüência percebi que era tudo balela....que paz que nada, eu gosto da crise, gosto do caos, da perturbação, da turbulência, do barulho, da bagunça - vide meu quarto, que por mais que eu insista em tentar arrumar, sempre tende rapidamente ao intransitável caos - Ela me propulsiona para frente, me tira do chão, me perturba, me tira da inércia, me põe em movimento.
Certa vez uma grande amiga e colega de cursinho me disse, sobre desorganização, que 'a disciplina e a organização tolhem a criatividade do ser humano' achei aquilo lindo - muito provavelmente por me identificar com a incapacidade dela de manter um certo grau de ordem e disciplina na própria vida....é..acho que eu não serviria para o pensamento militar/positivista MESMO...ainda bem! - por que atrela ao humano [a criatividade] algo ainda mais humano [o caos, a desordem]...como se o que fosse natural o fosse inevitavelmente...e para mim não há nada que seja mais belo que o natural, o manual...vide o endereço desse mesmo blog...
Mas digressões à parte, na verdade o que me fez vir aqui e o que me põe em crise foi a compreensão de uma idéia compartilhada comigo por um grande amigo-mestre certa vez enquando debatíamos sobre o temor da morte. Ele relatava não temê-la por achar desprezível a condição humana...quando o questionei sobre qual condição ele se referia, me disse ser a de nos enganarmos constantemente e nos afastarmos do que realmente somos, escondendo-nos por trás de artifícios, máscaras, para tentar criarmos para nós mesmos uma imagem ilusória e, por isso mesmo, desprezível. Minha crise tem por pano de fundo essa desprezível condição humana...esse se prender a valores banais de retorno imediatista e superficial...esse orgulho, essa tentativa de manutenção da auto-imagem como algo grandioso.
A crise na qual mergulhei veio ao me sentir pequeno. Extremamente pequeno, diminuído. E essa sensação veio por uma real diminuição provocada por mim mesmo. Um certo desleixo, uma espécie de preguiça, que na verdade não o é, é falta de motivação. A ingenuidade de tentar encontrar motivação para o crescimento fora de mim...Isso no fim das contas não existe. Toda a motivação de que conseguimos usufruir está dentro de nós mesmos. Os elementos externos apenas a desperta - quando ela existe.
É aquele diacho de "Seríamos muito melhores, se não quiséssemos ser tão bons". Essa necessidade babaca de tentarmos provar para nós mesmos e a todo instante nossa própria 'grandiosidade'. Essa carência auto-afirmativa que nos põe ridículos, pequenos por valorizar algo tão ínfimo quanto nossa imagem - mesmo que seja nossa auto-imagem - nosso PARECER e deixarmos em segundo plano o nosso SER.
Hoje eu me apresento aqui de joelhos, humilhado por mim mesmo, por minhas próprias metas, por minhas próprias cobranças. Pequeno.Derrotado. "Um cisco". Reduzido à minha insignificância. Que é. Não há nada de tão grandioso em nós mesmos que seja maior que nossa própria pequenez.
Ínfimos. Meros instrumentos. Soltos aos sopros errantes do vento. Presos em nós mesmos pela ilusão de controle. De domínio. Não há controle pois não há o real objeto a ser controlado. Não podemos conter o que tem vida própria.
Somos limitados.
Não há grande vitória, apenas nosso grande troféu esculpido em batatas.
Sem imperativos nesse fim de texto. Sem "precisamos....". Não tenho essa autoridade.
Não sou ninguém.
Preciso absorver essa idéia.
Pois ser ninguém, liberta!
segunda-feira, 14 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
...
Sem qualquer explicação
Sem necessária motivação
Abandonemos o necessário [a vontade sempre nos foi muito mais prazerosa]
Venho aqui pela simples vontade de ser, de estar, de confidenciar no silêncio toda uma vida
de dúvidas, alegrias, lamúrias, festejos, lágrimas, sorrisos, sangue, sal e água
e não são todas assim? Todas essas nossas vidas severinas
Abusadas, arrancadas....de uma beleza melancólica...
que apesar de triste,
Bela
Igualmente pelo riso ou pelo choro
Sempre pela Emoção
que me traz aqui....me faz pensar em poesia, me faz tentar um poema, que não sai, proseia
inventa
Serpenteia no estilo para tentar mostrar o que à palavra escapa
A emoção oculta entre uma letra e outra
E o que é a vida senão essa emoção de hiato entre um e outro silêncio?
Aquele instante que precede o choro, que antecipa o riso
O início do dilatar os olhos para ver,
para a vida
Aquele segundo incontável, liso
que escorrega
escorre
rodopia e samba numa fração de segundos
Assim nos é a vida...lisa, errante, incerta, marítima
e por assim, sê-lo
dentro de cada alegria ou cada dor,
De-li-ci-o-sa
Sem necessária motivação
Abandonemos o necessário [a vontade sempre nos foi muito mais prazerosa]
Venho aqui pela simples vontade de ser, de estar, de confidenciar no silêncio toda uma vida
de dúvidas, alegrias, lamúrias, festejos, lágrimas, sorrisos, sangue, sal e água
e não são todas assim? Todas essas nossas vidas severinas
Abusadas, arrancadas....de uma beleza melancólica...
que apesar de triste,
Bela
Igualmente pelo riso ou pelo choro
Sempre pela Emoção
que me traz aqui....me faz pensar em poesia, me faz tentar um poema, que não sai, proseia
inventa
Serpenteia no estilo para tentar mostrar o que à palavra escapa
A emoção oculta entre uma letra e outra
E o que é a vida senão essa emoção de hiato entre um e outro silêncio?
Aquele instante que precede o choro, que antecipa o riso
O início do dilatar os olhos para ver,
para a vida
Aquele segundo incontável, liso
que escorrega
escorre
rodopia e samba numa fração de segundos
Assim nos é a vida...lisa, errante, incerta, marítima
e por assim, sê-lo
dentro de cada alegria ou cada dor,
De-li-ci-o-sa
Ser Intruso [ou da sucessão de lutos]
Confessei há alguns dias numa conversa excepcional algo que, apesar de sê-lo desde sempre, tornou-se verdade para mim há muito pouco tempo...
Para os que já assistiram 'Antes do Amanhecer' [e para os que não o viram, vejam, nem que seja só pra conhecer], o protagonista diz algo que ressoa muito dentro de mim. Essa idéia de se sentir um intruso na vida, como o penetra em uma festa. Ele relata se sentir assim com relação à vida e isso o liberta, pois sendo um intruso, ele se sente livre do protocolo. Trocando em miúdos chulos: fudido, fudido e meio.
Mas fora a noção de liberdade para ser o que vier fora dos moldes por não estar inserido na 'festa', a sensação de intruso é algo que merece uma considerável reflexão...
Apesar dessa idéia de sermos protagonistas de nossas próprias vidas, por vezes nos sentimos nela meros coadjuvantes, secundários, não pertencentes, quase intrusos. Isso nos fere o orgulho e pode trazer muito sofrimento. O sofrimento maior, contudo, vem da insistência em negarmos quando um lugar por nós ocupado não é nosso de fato. Pode ser de outros, ou mesmo de ninguém. Independente disso, contudo, por vezes não é nosso. E quando não o é, não há muito a ser feito. Basta aceitar, se conformar. E conformismo é algo que dói, pois nos passa a impressão de estarmos traindo algum ideal, o conformismo faz nos vermos como desertores, desistentes, fracos. No entanto, o momento em que precisamos de mais força é esse, quando nos vemos numa situação em que, de fato, fazemos o papel daquele que apenas esquenta o banco enquanto o titular não entra em campo para assumir o lugar que é dele e não nosso. Estar nessa condição de 'aquecer o banco' é passível de negação. É uma questão de escolha. Nós percebemos, na maioria das vezes, quando o lugar não é nosso, quando nos damos o direito a um mínimo de auto-honestidade para aceitarmos tal fato, ao invés de tentar negar e nos cegarmos para a realidade, por ser essa demasiadamente dolorosa. De todo modo, entretanto, podemos, ao nos darmos conta dessa condição de intrusos, nos negarmos a ela e abandonarmos o jogo.
Ser intruso dói. Nos sentimos abandonados, solitários, deslocados, sem chão, sem teto, sem colo, sem vida. Encarar essa cascata de sensações de abandono nos apavora. Muitas vezes por esse pavor criamos mecanismos de negação e nos iludimos, criamos castelos de fantasia de um mundo que não nos pertence. O que normalmente ignoramos é o fato de haver um mundo ao qual pertencemos, mesmo que o fantasioso por nós criado não nos seja viável. Ao nos prendermos a essas ilusões, nesses bancos de reserva, nesse lugar que não é nosso, perdemos a chance de descobrirmos o nosso real lugar, de sermos plenos, titulares, de vivermos de fato algo que possamos chamar 'real', nosso, próprio.
É difícil, eu sei, quando nos enredamos numa situação ou numa relação na qual nos envolvemos de tal modo que parece difícil e por vezes impossível acreditar na possibilidade daquele não ser nosso lugar. De, apesar de intenso e aparentemente completo, sermos, naquela situação, meramente passageiros. De cumprimos nosso papel, mas o nosso papel de fato não ser lá. E esse papel ser, quiçá, de outro.
Mas como dizia um grande professor, mestre, a quem muito devo, do ensino médio, "A vida não é fácil". Ou ainda citando nosso digníssimo vilão da infância, Scar, "A vida não é justa, não é mesmo?"
Diante do maior tombo, é preciso força para nos levantarmos...
E o que é a vida senão essa seqüência de tombos? Uma constante convocação a nos levantarmos?
E só encontramos nosso lugar na vida se estivermos de pé para procurá-lo.
Ele deve existir. Nisso até eu tenho fé.
Nos resta coragem para continuar procurando...
E nos arriscarmos a esquentar alguns bancos no meio do caminho, se assim o for.
Com uma boa dose de sorte, nos descobrimos titulares.
Para os que já assistiram 'Antes do Amanhecer' [e para os que não o viram, vejam, nem que seja só pra conhecer], o protagonista diz algo que ressoa muito dentro de mim. Essa idéia de se sentir um intruso na vida, como o penetra em uma festa. Ele relata se sentir assim com relação à vida e isso o liberta, pois sendo um intruso, ele se sente livre do protocolo. Trocando em miúdos chulos: fudido, fudido e meio.
Mas fora a noção de liberdade para ser o que vier fora dos moldes por não estar inserido na 'festa', a sensação de intruso é algo que merece uma considerável reflexão...
Apesar dessa idéia de sermos protagonistas de nossas próprias vidas, por vezes nos sentimos nela meros coadjuvantes, secundários, não pertencentes, quase intrusos. Isso nos fere o orgulho e pode trazer muito sofrimento. O sofrimento maior, contudo, vem da insistência em negarmos quando um lugar por nós ocupado não é nosso de fato. Pode ser de outros, ou mesmo de ninguém. Independente disso, contudo, por vezes não é nosso. E quando não o é, não há muito a ser feito. Basta aceitar, se conformar. E conformismo é algo que dói, pois nos passa a impressão de estarmos traindo algum ideal, o conformismo faz nos vermos como desertores, desistentes, fracos. No entanto, o momento em que precisamos de mais força é esse, quando nos vemos numa situação em que, de fato, fazemos o papel daquele que apenas esquenta o banco enquanto o titular não entra em campo para assumir o lugar que é dele e não nosso. Estar nessa condição de 'aquecer o banco' é passível de negação. É uma questão de escolha. Nós percebemos, na maioria das vezes, quando o lugar não é nosso, quando nos damos o direito a um mínimo de auto-honestidade para aceitarmos tal fato, ao invés de tentar negar e nos cegarmos para a realidade, por ser essa demasiadamente dolorosa. De todo modo, entretanto, podemos, ao nos darmos conta dessa condição de intrusos, nos negarmos a ela e abandonarmos o jogo.
Ser intruso dói. Nos sentimos abandonados, solitários, deslocados, sem chão, sem teto, sem colo, sem vida. Encarar essa cascata de sensações de abandono nos apavora. Muitas vezes por esse pavor criamos mecanismos de negação e nos iludimos, criamos castelos de fantasia de um mundo que não nos pertence. O que normalmente ignoramos é o fato de haver um mundo ao qual pertencemos, mesmo que o fantasioso por nós criado não nos seja viável. Ao nos prendermos a essas ilusões, nesses bancos de reserva, nesse lugar que não é nosso, perdemos a chance de descobrirmos o nosso real lugar, de sermos plenos, titulares, de vivermos de fato algo que possamos chamar 'real', nosso, próprio.
É difícil, eu sei, quando nos enredamos numa situação ou numa relação na qual nos envolvemos de tal modo que parece difícil e por vezes impossível acreditar na possibilidade daquele não ser nosso lugar. De, apesar de intenso e aparentemente completo, sermos, naquela situação, meramente passageiros. De cumprimos nosso papel, mas o nosso papel de fato não ser lá. E esse papel ser, quiçá, de outro.
Mas como dizia um grande professor, mestre, a quem muito devo, do ensino médio, "A vida não é fácil". Ou ainda citando nosso digníssimo vilão da infância, Scar, "A vida não é justa, não é mesmo?"
Diante do maior tombo, é preciso força para nos levantarmos...
E o que é a vida senão essa seqüência de tombos? Uma constante convocação a nos levantarmos?
E só encontramos nosso lugar na vida se estivermos de pé para procurá-lo.
Ele deve existir. Nisso até eu tenho fé.
Nos resta coragem para continuar procurando...
E nos arriscarmos a esquentar alguns bancos no meio do caminho, se assim o for.
Com uma boa dose de sorte, nos descobrimos titulares.
terça-feira, 1 de março de 2011
oirártnoc oa
Mais uma [dose? não] vez eu não faço idéia de por onde começar ou sobre o que escrever...mas existem muitos, infinitos, vários, zilhões de pensamentos que vieram se debatendo há tempos e eu acho que também pelo meu abandono com esse veículo eu precisava revisitar o blog...escrever um pouco...sobre algo...mesmo que não seja sobre nada.
Tá aí, escreverei sobre nada..ou quem sabe sobre o escrever sobre nada...e não me refiro ao nada dos existencialistas, esse conceito complexo e mil vezes estudado...não, caro leitor. Se ainda não percebeu, releia o blog inteiro, caso tenha tempo ou um pingo de disposição...meu objetivo aqui não é nenhum vômito de cunho academicista...
Meus textos são crus...limpos...não, na verdade são sujos. Sujeira minha, sujeira do mundo, sujeira dos outros...a que nos pega, a que passamos...a que temos e na qual existimos...
Não, sem rebuscamentos demais, sem grandes pretenções...apenas para aliviar a pressão - que o feijão já está quase pronto pro almoço..hmmmmmmm...
Escrever é algo que liberta...e o blog, por vezes, mais que qualquer diário privado que eu tenha..e tenho vários, pois vários são meus pensamentos, minhas confissões...mas o eu aqui não importa
Quem manda nessa joça aqui não sou eu, é o texto, são as palavras...tão delas, tão próprias, tão livres e tão belas...e talvez por isso escrever aqui me torne tão leve, me liberte tanto...
O texto que aqui sai me liberta de mim mesmo...uso o veículo para ser mero veículo do veículo das idéias pensadas: a palavra. Digo as idéias pensadas, porque as sentidas são melhores expressas no gesto, no silêncio...
E cabe ao texto exprimir o que lhe é prórpio: idéias
Mesmo que a idéia [aparentemente] não exista. Mesmo que não exista nada. Escrever é [im]preciso. Viver também o é.
Assim como os textos e as palavras e as idéias e os 'sentires' e os pensares, a vida tem seus próprios caminhos, suas próprias vontades..a vida tem vida própria
Tanto que por vezes sentimos essa impressão estranha das nossas vidas não caberem em nós mesmos..de ser muito, de ser mais..."much muchier", para os que conhecem a referência.
Sem pontos de vista, sem contra-ponto, sem grandes argumentações
Escrevo por que quero
Escrevo por tesão [e as coisas da vida assim não deveriam ser movidas, por tesão? Ah, que bom seria...]
Talvez escrevo para aliviar o peso da rocha que se torna a vida quando o peso etéreo do abstrato não se comporta mais no que se diz concreto....
Talvez
quem sabe...
Tá aí, escreverei sobre nada..ou quem sabe sobre o escrever sobre nada...e não me refiro ao nada dos existencialistas, esse conceito complexo e mil vezes estudado...não, caro leitor. Se ainda não percebeu, releia o blog inteiro, caso tenha tempo ou um pingo de disposição...meu objetivo aqui não é nenhum vômito de cunho academicista...
Meus textos são crus...limpos...não, na verdade são sujos. Sujeira minha, sujeira do mundo, sujeira dos outros...a que nos pega, a que passamos...a que temos e na qual existimos...
Não, sem rebuscamentos demais, sem grandes pretenções...apenas para aliviar a pressão - que o feijão já está quase pronto pro almoço..hmmmmmmm...
Escrever é algo que liberta...e o blog, por vezes, mais que qualquer diário privado que eu tenha..e tenho vários, pois vários são meus pensamentos, minhas confissões...mas o eu aqui não importa
Quem manda nessa joça aqui não sou eu, é o texto, são as palavras...tão delas, tão próprias, tão livres e tão belas...e talvez por isso escrever aqui me torne tão leve, me liberte tanto...
O texto que aqui sai me liberta de mim mesmo...uso o veículo para ser mero veículo do veículo das idéias pensadas: a palavra. Digo as idéias pensadas, porque as sentidas são melhores expressas no gesto, no silêncio...
E cabe ao texto exprimir o que lhe é prórpio: idéias
Mesmo que a idéia [aparentemente] não exista. Mesmo que não exista nada. Escrever é [im]preciso. Viver também o é.
Assim como os textos e as palavras e as idéias e os 'sentires' e os pensares, a vida tem seus próprios caminhos, suas próprias vontades..a vida tem vida própria
Tanto que por vezes sentimos essa impressão estranha das nossas vidas não caberem em nós mesmos..de ser muito, de ser mais..."much muchier", para os que conhecem a referência.
Sem pontos de vista, sem contra-ponto, sem grandes argumentações
Escrevo por que quero
Escrevo por tesão [e as coisas da vida assim não deveriam ser movidas, por tesão? Ah, que bom seria...]
Talvez escrevo para aliviar o peso da rocha que se torna a vida quando o peso etéreo do abstrato não se comporta mais no que se diz concreto....
Talvez
quem sabe...
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Escalrecimentos e retificações
Quanto ao último post, caro leitor, não me interprete mal. Não estou afirmando que a cultura erudita é inúitil ou dispensável. Eu concordo com a importância de se estudar, ler, conhecer e saber sobre pensadores famosos, escritores clássicos e suas idéias. A minha crítica é a supervalorizaçao desse saber em detrimento da capacidade própria do indivíduo de raciocinar 'com as próprias pernas' ao invés de justificar toda sua argumentação nas muletas do pensamento alheio, seja ele erudito e renomado ou não.
É contra o piloto automático que eu luto, não contra as ferramentas do conhecimento. Afinal elas servem, ao meu ver, como promotoras de autonomia e de potencialidades de ação, não como mais uma amarra em meio a outras tantas com as quais nos deparamos no nosso cotidiano.
É isso.
É contra o piloto automático que eu luto, não contra as ferramentas do conhecimento. Afinal elas servem, ao meu ver, como promotoras de autonomia e de potencialidades de ação, não como mais uma amarra em meio a outras tantas com as quais nos deparamos no nosso cotidiano.
É isso.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Pensemos...
As férias mal chegaram ao fim e a minha cabeça já está voltando a funcionar...
Faltando dois dias para o início da labuta eu tive uma tarde interessante que me remeteu a um assunto muito do pertinente nesse blog....
Qual o assunto? Não vou nomeá-lo...sem tópicos frasais nesse texto...isso é um Blog livre, não uma redação da FUVEST...
Enfim...
É muito comum as pessoas confundirem instrução com reflexão. A idéia, pra variar, é bem simples...existem pessoas que acumulam conhecimento, informações, sem ter muita capacidade de processá-las e, assim, criar algo novo...tornam-se meros ventríloquos de grandes nomes da literatura, filosofia, historiografia e similares. E é triste porque normalmente esse tipo de atitude vem com adicionais muito agradáveis como a auto-valorização exacerbada ou a arrogância sobre aqueles que não detém o mesmo arsenal informativo - e que se baseia, principalmente, no princípio do acesso à informação, da segregação intelectual. Aqueles que tiveram acesso ao 'conhecimento' se tornam, nesse ponto de vista, pois, superiores aos pobres coitados ignorantes que, na visão dos 'detentores do saber', tornam-se inferiores por desconhecer fatos, citações e autores.
Desse pensamento surge outro, mais perigoso: a ilusão de que os excluídos de alguma das fontes do saber serem também incapazes de elaborar raciocínios lógicos, questionamentos, reflexões. Essa conecepção agrava ainda mais o abismo de desigualdade intelectual na medida em que, por serem normalmente reis da prolixidade e da retórica, os papagaios intelectuais utilizam essas armas para garantir seu lugar no trono do saber e os outros, ignorantes, reduzidos a meros limpadores de valas. Os forçosos operários, na falta das mesmas armas que seus 'superiores', acabam por se intimidar e entram no personagem, entram no jogo perverso da divisão de castas intelectuais e nelas se estabelecem.
Além disso, cria-se a ilusão, entre os Homo superioris, da infalibilidade das fontes do seu saber. Eles, tão orgulhosos da auto-denominação de 'homens da ciência' acabam por pecar da mesma forma que seus criticados irmãos religiosos: se atém à autoridade da aceitação de um discurso para justificar seu fanatismo. Nesse ponto eles cometem seu maior erro e sua maior falta. Perdem todo o crédito e traem seus ídolos ao tornarem-se ovelhas, mero rebanho de pastores renomados, que ainda assim, permanecem ovelhas. O conhecimento, sem questionamento, torna-se vazio.
Eu, particularmente, acho muito mais valorizável a capacidade 'pura' de raciocínio com o mínimo de interferência externa do que o entediante repeteco de idéias e pensamentos já estudados, vistos e revistos ao longo dos séculos da história do conhecimento humano. Nada se produz, apenas repete-se o que já foi dito como original. E não é. É apenas a repetição da repetição. "A copy of a copy of a copy".
Certa vez uma amiga me disse, com grande receio de me ofender, que me achava muito inteligente, porém não me achava nem um pouco culto. De fato. Eu nunca li nenhum grande autor de nada fora os que a medicina me obriga. Mas e aí, isso me torna inferior? Ao meu ver, me torna apenas preguiçoso, talvez um tanto revoltado...Em parte o que me afasta de tais leituras é justamente essa rebeldia adolescente de tentar sempre pensar com o mínimo de influências....É o desejo de ouvir uma idéia e questioná-la a partir das minhas próprias, e não dar uma resposta do tipo "Não, segundo fulano isso que você disse está errado, porque no livro tal ele fala isso, isso e isso, que vai contra o que você diz". Esse raciocínio não avalia a idéia em si, mas seu emissor. E uma discussão é, ou deveria ser ao meu ver, um embate de idéias, não de bibliografias.
É preciso nos atermos ao que realmente importa...
Caso contrário, perdemo-nos naquilo que tentamos construir para nos encontrarmos: nossa capacidade de pensar.
Pense nisso.
Faltando dois dias para o início da labuta eu tive uma tarde interessante que me remeteu a um assunto muito do pertinente nesse blog....
Qual o assunto? Não vou nomeá-lo...sem tópicos frasais nesse texto...isso é um Blog livre, não uma redação da FUVEST...
Enfim...
É muito comum as pessoas confundirem instrução com reflexão. A idéia, pra variar, é bem simples...existem pessoas que acumulam conhecimento, informações, sem ter muita capacidade de processá-las e, assim, criar algo novo...tornam-se meros ventríloquos de grandes nomes da literatura, filosofia, historiografia e similares. E é triste porque normalmente esse tipo de atitude vem com adicionais muito agradáveis como a auto-valorização exacerbada ou a arrogância sobre aqueles que não detém o mesmo arsenal informativo - e que se baseia, principalmente, no princípio do acesso à informação, da segregação intelectual. Aqueles que tiveram acesso ao 'conhecimento' se tornam, nesse ponto de vista, pois, superiores aos pobres coitados ignorantes que, na visão dos 'detentores do saber', tornam-se inferiores por desconhecer fatos, citações e autores.
Desse pensamento surge outro, mais perigoso: a ilusão de que os excluídos de alguma das fontes do saber serem também incapazes de elaborar raciocínios lógicos, questionamentos, reflexões. Essa conecepção agrava ainda mais o abismo de desigualdade intelectual na medida em que, por serem normalmente reis da prolixidade e da retórica, os papagaios intelectuais utilizam essas armas para garantir seu lugar no trono do saber e os outros, ignorantes, reduzidos a meros limpadores de valas. Os forçosos operários, na falta das mesmas armas que seus 'superiores', acabam por se intimidar e entram no personagem, entram no jogo perverso da divisão de castas intelectuais e nelas se estabelecem.
Além disso, cria-se a ilusão, entre os Homo superioris, da infalibilidade das fontes do seu saber. Eles, tão orgulhosos da auto-denominação de 'homens da ciência' acabam por pecar da mesma forma que seus criticados irmãos religiosos: se atém à autoridade da aceitação de um discurso para justificar seu fanatismo. Nesse ponto eles cometem seu maior erro e sua maior falta. Perdem todo o crédito e traem seus ídolos ao tornarem-se ovelhas, mero rebanho de pastores renomados, que ainda assim, permanecem ovelhas. O conhecimento, sem questionamento, torna-se vazio.
Eu, particularmente, acho muito mais valorizável a capacidade 'pura' de raciocínio com o mínimo de interferência externa do que o entediante repeteco de idéias e pensamentos já estudados, vistos e revistos ao longo dos séculos da história do conhecimento humano. Nada se produz, apenas repete-se o que já foi dito como original. E não é. É apenas a repetição da repetição. "A copy of a copy of a copy".
Certa vez uma amiga me disse, com grande receio de me ofender, que me achava muito inteligente, porém não me achava nem um pouco culto. De fato. Eu nunca li nenhum grande autor de nada fora os que a medicina me obriga. Mas e aí, isso me torna inferior? Ao meu ver, me torna apenas preguiçoso, talvez um tanto revoltado...Em parte o que me afasta de tais leituras é justamente essa rebeldia adolescente de tentar sempre pensar com o mínimo de influências....É o desejo de ouvir uma idéia e questioná-la a partir das minhas próprias, e não dar uma resposta do tipo "Não, segundo fulano isso que você disse está errado, porque no livro tal ele fala isso, isso e isso, que vai contra o que você diz". Esse raciocínio não avalia a idéia em si, mas seu emissor. E uma discussão é, ou deveria ser ao meu ver, um embate de idéias, não de bibliografias.
É preciso nos atermos ao que realmente importa...
Caso contrário, perdemo-nos naquilo que tentamos construir para nos encontrarmos: nossa capacidade de pensar.
Pense nisso.
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